A pipa agora voa sozinha
agarrada a um galho alto.
Nela um pouco de linha
prende o hoje ao passado.
Prende o antes ser movida
por crianças, mãos e saltos
a este agora dançar sozinha
com vento tão atravessado.
Memória ou pipa, eis a vida
no ter medo de ser pássaro.
Presa, mas viva, eis a fina
consolação do apavorado
sobrevivente que fascina
apenas a secura do galho.