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16 de janeiro de 2026

Breves cartas aos ansiosos: carta 10, pantera

"A pantera negra; e as estrelas?"

Essa frase (escrita solta assim mesmo por João Guimarães Rosa em seu Ave, palavra) é uma boa ilustração de como estar insatisfeito com o presente pode enfeiar a realidade.

Você, imagine, está diante de uma pantera negra, uma das coisas mais lindas da criação inumerável. O seu corpo esguio, o seu olhar altivo e o seu pelo brilhando negro como a noite! Espera, como a noite? Pois, então, onde estão as estrelas?!

Olhos ansiosos sempre buscam pelo que não há, para então se lamentarem sobre isso.

Estar satisfeito? Mas isso seria como cuspir nos seus sonhos! Assim o ansioso cogita. Como estar satisfeito com a vida, se você ainda não foi a Paris? Se você ainda não se casou, se ainda não teve um filho, se ainda não viu o seu time ser campeão? 

Parece que falta algo. Mas quando não parecerá que falta algo? Porque a ansiedade muitas vezes atende pelo nome completo de não ter aprendido a estar satisfeito. Você medita sobre o futuro, ansioso pelos marcos imaginários. Um prêmio, uma casa, achar-se suficientemente belo. "E as estrelas?"

Os sonhos são projetos de realidade, como mapas. Não se espera que a integralidade de um lugar esteja no mapa, mas que esse desenho seja um esboço que nos guie dentro da realidade. Em outras palavras, a vida é superior ao que se sonha sobre ela.

A pantera negra, como a noite sem estrelas. Porque há noites sem estrelas, também, e é bom que seja assim. Esteja satisfeito em contemplá-la. Apenas cuidado (sem ansiedade, se possível) com os seus dentes.

3 de dezembro de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 9, riacho

Não deixe os seus traumas ditarem o seu pensamento, nem os seus medos anteciparem a realidade de problemas hoje inexistentes.

Havia um riacho, no caminho dos viajantes. Eles estavam há muito tempo na estrada, cansados e sedentos. Quando ouviram o som de suas águas, correram até ele, extasiados.

Chegando, ajoelharam-se diante do riacho, dele beberam e próximo a ele descansaram. Depois de um tempo ali, renovados, decidiram que era momento de seguir viagem.

Um deles, de tamanha felicidade, começou a chorar, conforme se afastava do som pacífico de haver riacho. Isso perturbou um dos seus colegas de jornada.

"Por que você está chorando?", perguntou o que se perturbara.

"De alegria por não ter mais sede", disse o outro.

"Use sua alegria para guardar a água que acabou de beber, não para jogá-la fora. Na sede de amanhã você pode se arrepender de gastar as lágrimas de hoje", falou, sério, o primeiro.

"A sede amanhã será saciada com a água de amanhã, assim como a sede hoje foi saciada com a água de hoje", falou, sorrindo, o segundo.

Então, seguiram viagem.

Prudência é algo importante, mas não faça da prudência a sua sempre presente razão de desconforto.

O trauma, que gerou medo, hoje nomeia a ansiedade pelo amanhã que ainda não existe. Lembre-se: a sede hoje é saciada com a água de hoje, a sede amanhã será saciada com a água de amanhã. E a sede de ontem já foi vencida, pois você sobreviveu a ela.

Basta a cada dia a sua própria sede.

2 de novembro de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 8, corrida

O sentimento implícito na triste frase "pensar é cansativo", falada hoje com tantas variações, gera muita ansiedade por ser fruto de uma espécie de sedentarismo da inteligência.

Pensar muito é uma angústia de quem não tem o controle, nascido da prática, sobre o próprio pensamento.

Pense: as pernas acostumadas a correr quatro quilômetros todos os dias não se cansarão ao correr dois quilômetros amanhã, ao contrário das pernas sedentárias, correto?

Da mesma forma, o pensamento não cansará os seus praticantes cotidianos. Longe disso. Assim como aquele que corre fica angustiado justamente depois de alguns dias sem correr, o mesmo acontece com aquele que conscientemente pensa. Depois de algum tempo, será incômodo ao pensante ficar sem pensar.

Note, porém, que isso vale para o pensamento consciente. Porque há também o pensamento inconsciente, assim como há o agitar de pernas irrefletido de alguém ansioso, em contraposição às maratonas previamente planejadas por algum esportista. 

É geralmente desse "balançar de pernas" que as pessoas cansadas de pensar reclamam. "Overthinking", termo atual para um problema antigo, diz respeito a esse tipo de vulto mental transtornado e sem controle da pessoa que dele sofre, como caminhar sem descanso em um feed infinito de rede social.

Em resumo, o cansaço de pensar ocorre quando pensar não é um exercício praticado de modo atento. É preciso exercitar esse pensamento consciente, portanto, até para reconhecer os padrões de angústia, mesmo que isso signifique parecer mais silencioso, em alguns momentos.

Por isso "os burros são mais felizes" é uma frase mentirosa, já que a própria manifestação de infelicidade é de difícil expressão em uma vida irrefletida. Isso gera a miragem da festa, pois a pessoa permanecerá dançando mesmo internamente angustiada.

Pensar conscientemente pode te deixar silencioso em uma comemoração, por exemplo, se foi durante ela que você resolveu exercitar esse maravilhoso esporte. Faz parte. Mas alcançar o amor ao pensamento vale a pena.

Leia, escreva, pense: isso inaugurará em sua vida interna o saudável costume de se exercitar contra a ansiedade.

1 de outubro de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 7, eclipse

"E se o pior acontecer?"

Há muitos dias lindos que parecem se tornar feios imediatamente após essa pergunta.

"E se o melhor acontecer?"

Por outro lado, há muita beleza que parece surgir nos piores dias após essa outra pergunta.

Porém, as duas são apenas isso: perguntas. Estes hipotéticos dias melhorados e piorados nada mudam, a não ser nós, dentro deles, e a nossa percepção do que eles possuem.

Pessimismo, o vento que profere a primeira interrogação, é o caminho mais curto para parecer profundo. Por isso mesmo, naturalmente, é um caminho artificial para alcançar a profundidade. Muitas pessoas que consideramos inteligentes são apenas pessimistas. Fazem com que vejamos o pior até então não teorizado, de forma a acreditarmos que o pessimista vê uma "verdade oculta".

O otimismo que gera a segunda pergunta é diferente. Também parece ver o que está oculto à realidade, mas seu efeito é o contrário: ser otimista é um dos caminhos mais curtos para parecer tolo. O pensamento deslumbrado e o rosto alegre de quem imagina uma situação positiva adiante são símbolos de quem não parece ver o risco iminente. Muitas pessoas que consideramos tolas são apenas otimistas. 

Pessimismo e otimismo não são iguais, mas ambos geram angústia.

O pessimismo angustia porque distorce negativamente uma realidade que é cruel, mas que nem sempre está banhada em crueldade. Ser pessimista é sofrer antes do sofrimento (por prever que sofrerá), durante o sofrimento (por estar sofrendo) e após o sofrimento (por ter sofrido). 

O otimismo angustia porque distorce positivamente uma realidade realmente possuidora de beleza, mas que é dura. Não se preparar antes de sair de casa para a tempestade que vai cair em poucos minutos é se angustiar por estar encharcado, logo mais. O otimista só sofre quando cai do cavalo. Mas parece cair do cavalo, por falta de preparação, mais vezes.

Tudo bem, e agora? Acredito que a solução pra esse impasse, de vermos menos ou vermos mais do que existe, não é apenas vermos as coisas como elas são. Afinal de contas, isso é praticamente impossível: cada um imprime ao mundo o seu modo de olhar, distorcido por sua própria história.

O caminho está em reconhecermos a instabilidade do real. As coisas mudam o tempo todo, há beleza e há dor. Há noite, dia, noite de novo e também há eclipses que são noites dentro dos dias. Se o que vemos é a sucessão de mortes que chamamos vida, preparemo-nos para a impossibilidade de estarmos sempre preparados. Prepare-se para a vida com o coração aberto de quem às vezes vai exagerar para mais, às vezes para menos, mas sempre consciente da própria inconsciência em relação à totalidade.

E como fazer isso? Na minha opinião, com amor à realidade e à multiplicidade inerente a ela. Amor, isto é, o sentimento positivo em relação ao outro, ternura desinteressada, curiosidade alegre, forma de parecer tão sábio quanto tolo.

Assim, a ansiedade terá o mesmo caráter pontual do eclipse: acontece, mas é tão raro quanto passageiro.

6 de setembro de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 6, rosas

Você não é um gênio. Não há, em sua individualidade, nada que sirva de fato à criação de algo verdadeiramente novo e revolucionário. Isso te ofendeu, por ser calunioso? Se ofendeu, não deveria: mesmo eu não conhecendo os olhos que passam agora pelas palavras aqui escritas, sei que provavelmente não são os olhos de um gênio. "Provavelmente", inclusive, é uma bajulação com o improvável, considerando ser praticamente nenhuma a chance desse texto ser lido por algum gênio. Os gênios são figuras raríssimas, ainda mais raramente reconhecidos dessa forma enquanto vivos.

Então, se você não é um gênio, por que se ofende tanto em ser comum? Qual a razão para se angustiar tanto com isso? Porque, se você não é um gênio, você é comum. Qual o problema? Uma marca pode fazer você crer em algo diferente, propagando que você é individualmente precioso por usar um tênis (vestido por outros milhares) ou uma ideologia (vestida por outros milhões), mas isso só é crido tão facilmente por alguém comum. Seu cabelo é rosa? Seu rosto é harmonizado? Você é rico, pobre, alto, baixo? Nada disso faz de você um gênio - embora possa fazer com que, entre outros comuns, você brilhe mais.

E daí? Por que se angustiar tanto com isso? Há muita ansiedade nascida do desejo de se destacar, ironicamente causando o efeito contrário, criando uma massa de indestacáveis. Como as modas são custosas às individualidades! E, no entanto, são chamadas de modas os produtos mais vendidos como produtores de individualidade. 

Você não é um gênio. Não se ofenda com isso. Ser comum é ser livre da necessidade da vida como obra, algo que a tantos gênios destruiu ao longo de tantos séculos. Descubra quem você realmente é, sobretudo, e viva sob essa medida, não sob a medida do que você finge ser. "Rega as tuas plantas, / Ama as tuas rosas. / O resto é a sombra / De árvores alheias" - como escreveu, certa vez, um gênio, morto hoje como quase todos os de sua estirpe.

17 de agosto de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 5, espelho

Tornar a respiração sempre intencional. Já pensou nisso? Se precisássemos ter a intenção de respirar para fazê-lo, não poderíamos dormir, por exemplo. Ou poderíamos, contanto que sempre sonhássemos que estamos intencionalmente respirando. E quanto aos bebês? Um tapinha ao nascer talvez não fosse suficiente, talvez fosse preciso ensinar a ter a intenção de respirar... Mas como? Parece cansativo.

A respiração natural, assim, irrefletida, permite existirmos. É algo que sustenta o nosso ser e nos esgotaria se fosse intencional o tempo todo. Porém, é interessante, às vezes, pensar em respirar, como quando a chuva começa a cair e deliberadamente abrimos mais as narinas para sentirmos o petricor (aquele cheiro bom de terra molhada) ou como quando buscamos respirar profundamente para nos acalmarmos.

O pensamento existe de forma parecida com a respiração. A maior parte dos pensamentos ocorre (e é bom que ocorra) de maneira involuntária. Mas é também bom, de vez em quando, pensar voluntariamente, sobre o tempo, sobre o espaço, sobre o viver no automático... E também sobre as muitas angústias que alimentamos de forma involuntária. 

Sim, há pensamentos que angustiam voluntariamente, mas, seja sincero, você acha que seu número é maior do que das angústias que você possui sem intencionalidade? 

Um espelho, mesmo que nós não percebamos a sua presença, nos reflete. Estando nós feios ou bonitos, havendo luz e proximidade suficiente, apareceremos nele. A intencionalidade dele, ou a nossa, não possui relação com o fato de haver reflexão. Contudo, se alguém quiser saber se o seu cabelo está despenteado, será preciso olhar para o reflexo até então passivo.

"Por que eu me angustio tanto com isso?" – essa é uma boa pergunta a ser feita. Ser refletido sem refletir pode ser menos cansativo, é verdade, mas não dá pra saber se os cabelos do pensamento estão despenteados até propositalmente olhar para eles. 

28 de julho de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 4, pescaria

Contentamento. Um sentimento detestado em nossa época. Afinal de contas, qual o problema em se contentar? Muitos dirão que isso significa estar em "uma zona de conforto", impedindo grandes feitos. Acontece justamente que contentar-se é aquilo que mais gera a paz existencial necessária para os grandes feitos.

Estabilidade de dias, isto é, saber que haverá comida no prato amanhã e que um teto permanecerá sobre os seus músculos, possibilita aos gênios criarem de forma plena. Mas a "zona do desconforto" leva o título de fértil geralmente em cenários diferentes. Não quando há fome ou desabrigo, mas quando, havendo até mesmo uma vida materialmente farta, a angústia existencial aflora.

Então a ansiedade se faz presente. A ansiedade gosta dos descontentes, pois são estes que temem a lâmina do futuro com mais tremor. E estes são, tantas vezes, os que menos razão de descontentamento possuem. Sobre isso, há uma canção de Dorival Caymmi, "Pescaria (Canoeiro)". Ela lista várias atividades de trabalho e agradece. E, só sendo isso, ela transborda alegria, pois é o movimento consciente do trabalho dando frutos sadios. "Cerca o peixe / Bate o remo / Puxa corda / Colhe a rede / Ô canoeiro / Puxa rede do mar // Louvado seja Deus / Ó meu Pai". 

Por que eu trouxe ela como exemplo? Porque as pessoas mais simples, tendo tão pouco, podem se contentar com aquilo que os descontentes julgam como pouco digno de vitória. Naturalmente, isso não é um louvor à miséria, está mais para uma conversa sobre o peso que damos às coisas supérfluas para o estabelecimento da nossa paz.

O essencial para o contentamento é simples: trabalhe pelo que importa, reconheça os frutos já colhidos, cante canções de gratidão. Lembre-se de quão firme precisa estar o braço do pescador para que ele possa recolher da água o seu sustento.

22 de junho de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 3, raízes

O medo de perder o emprego pode significar trabalhar mais pelo mesmo salário. A angústia de existir em vão pode significar muitos gastos em experiências que provem o "aproveitar a vida". O receio de ser comum pode significar o financiamento de um carro mais invejável.

Como visto, a existência de sua ansiedade pode interessar a muitos. Pode fazer muitos lucrarem. Assim, aqui está uma breve pergunta a ser feita: a minha ansiedade é mesmo minha? Há muitas ansiedades fabricadas em estúdios de publicidade, agências bancárias e reuniões de Estado-Maior.

Quem sabe se, devido à baixa taxa de natalidade, não veremos cada vez mais pessoas angustiadas por não terem filhos? Talvez a preocupação em não ser suficientemente revolucionário até se torne uma síndrome e ganhe um nome. Já nos fizeram crer que somos responsáveis por salvar o mundo; faltou, junto à crença, vir o poder de fazê-lo.

É muito valioso que haja angustiados, pois com isso busca-se preencher espaços internos com o consumo desesperado de um novo rico a mobiliar a sua imensa primeira mansão. Desse modo, aqui vai outra pergunta a ser feita: quem sai ganhando se eu regar as raízes de plástico da minha ansiedade? 

Conhecer-se a ponto de saber se a dor é realmente minha ou apenas o mote de algum slogan está no cerne das respostas a essas perguntas. Para tanto, pense com amor sobre essa ansiedade. Saiba que conscientemente conhecer a artificialidade de uma dor é um excelente começo para extirpá-la.

5 de junho de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 2, manhã

Cada manhã que nasce traz o mesmo sol sobre o mesmo planeta. Espremido entre o dia de ontem e o dia de amanhã, pouca novidade em si mesmo o novo dia traz.

De igual modo, todo diálogo novo é a continuação de uma conversa anterior e uma antessala para a conversa seguinte. Não entre as mesmas pessoas, necessariamente, nem sobre o mesmo assunto. Ainda assim, todo diálogo está no meio que é ter de um lado palavras já ditas e do outro lado palavras por dizer.

Há dois potenciais pesos sendo carregados em um diálogo, portanto. Primeiro, o medo do que antecedeu, talvez o receio de ter dito o que não devia ou o trauma de ter ouvido o que não queria. Segundo, a angústia pelo que virá, a desconfiança pelo amanhã, a expectativa de morrer antes de conseguir dizer o que se pretendia.

Estes dois pesos serão tão pesados quanto permitirmos, já que somos nós quem dimensionamos da memória aquilo que passou e do futuro aquilo que simulamos.

Das conversas e manhãs anteriores nada posso mudar, das conversas e manhãs posteriores nada posso saber. Aguardar, no presente, o triunfo de me importar apenas com o que controlo: acredito que aqui está a forma de dialogar com menos peso.

Porque, apesar de ser o mesmo sol sobre o mesmo planeta, todos os dias há novos bebês (embora haver bebês não seja novidade alguma) que crescerão e viverão novos amores e novos ódios que serão nomeados apenas em novos diálogos.

Afinal de contas, quem está com frio hoje não consegue se aquecer com o sol que fez ontem ou com o sol que fará amanhã. Aquecer-se com o sol de hoje, isto é, contentar-se com o diálogo presente, verdadeiramente aquece.

31 de maio de 2025

Breves cartas aos ansiosos: carta 1, órbita

"O meu caminho eu sei, mas eu não sei qual é o seu. No universo tudo voa, tudo parece balão."

Assim diz um trecho de uma canção chamada Herói das Estrelas. O personagem que dá nome à música diz isso para o Anjo Astronauta, outro personagem. 

O meu caminho eu sei. É? Você sabe o seu caminho? Sim, não? E você sabe que, apesar de no universo tudo voar, tudo parecer balão, os corpos celestes têm o seu próprio caminho? Há algo chamado órbita.

Órbita é o caminhar que algo faz em torno de outro algo. Ao longe, à primeira vista, tudo parece caoticamente voar, tudo parece balão... Mas, se pudéssemos perguntar a um planeta se ele conhece o seu próprio caminho, ele poderia responder que sim, claro, é a minha órbita!

Então, qual é a sua? Mesmo que você não a conheça, ela está ali, encurvando seus passos, fazendo seus pés comporem um arco. Parte da sua angústia, talvez, venha de não conhecê-la. Por quê? Porque um sentido estável é um consolo às inconstâncias da vida, uma órbita (uma razão de ser) é algo que firma seus olhos ao encontro do que realmente importa.

"É que pra mim, Anjo Astronauta, só me interessam os caminhos que levam ao coração", continua, na música de Mautner, a fala do Herói das Estrelas. Esta é uma excelente órbita pra se ter. O amor é, afinal de contas, o grande orquestrador que faz tudo o que é importante orbitar a sua volta.

"O amor que move o sol e as outras estrelas", assim Dante termina a Divina Comédia. Assim não poderia vir a terminar a sua ansiedade?