10 de junho de 2026

As nossas copas do mundo

Ficávamos ali, sentados na calçada
à noite
depois de jogarmos bola na rua a tarde toda.
O Tiago, o Vinicius, o Fubeca (que já morreu)
embaixo da luz amarela dos postes da infância
descansávamos.
O Rafael, a Valdiane, o Alex, o Rodrigo, o Gustavo
tínhamos pretas as solas dos nossos pés
por fazermos de chinelos as traves dos gols
e mesmo se não fizéssemos
porque o asfalto daquele tempo
grudava-nos às raízes
de sermos meninos no Brasil.
A Jéssica, o Leandro, o Marquinho
o Breno, o Raphinha, o Luiz
e eu também
descansávamos ali
sob a luz amarela dos postes
verdes da infância
as nossas copas do mundo.

Na foto, o poste citado no poema, ainda com as tintas também citadas, 20 anos depois. Foto tirada por minha mãe, na data do poema.